Impressões

Sobre clonagem

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Yo aprendí que la mayoría de las veces/ Las cosas no son lo que parecen. Uma verdade dificilmente refutável e que oiço em loop numa música de Danay Suárez. A cantora cubana de R&B diz mais:

No soy mejor que nadie, nadie es mejor que yo
Aunque yo no entienda como todos quieren parecerse
Como la gente se clona, pierde su propia voz
Y no saben a donde caminar al levantarse

Numa altura em que a chamada sociedade moderna parece basear-se naquilo que vê nas redes sociais para conhecer o outro, para formar opinião, fico com a sensação de que estamos todos a perder identidade, a querer ser igual ao outro. Na verdade, queremos ser o outro porque parece tão mais apetecível do que sermos nós próprios.

É verdade que, em algum momento, já todos sonhámos ser alguém diferente na esperança de que essa transformação viesse aliviar algum tipo de ansiedade ou, quem sabe, trazer um bocadinho daquela felicidade que passamos a vida a procurar fora de nós. Ao não ser possível sermos de facto outro, fingimos. Em “So Much To Say”, Dave Matthews canta:

I find sometimes it’s easy to be myself
Sometimes I find it’s better to be somebody else

Podemos até temporariamente querer ser outro – e é extraordinário quando isso acontece numa tentativa genuína de sermos pessoas melhores, de refletir, de corrigir comportamentos e valores que contribuam para uma sociedade mais justa e com um maior grau de civismo. A tristeza de querer ser outro está em fazê-lo porque não nos achamos suficientemente bonitos, suficientemente ricos, porque não temos o último modelo do carro ou do telefone da moda. E quando o fazemos corremos sérios riscos de acabar sem identidade. Clones.

Acredito que a criatividade, a curiosidade e a vontade de saber mais ainda podem salvar-nos. Basta fazer um esforço para que não nos escapem.

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