Monthly Archives: Abril 2016

Do vazio

As letras já não se agregam como dantes, não se multiplicam como dantes, não formam palavras como dantes.

Onde deviam estar – sim, elas, as letras – aparecem espaços vazios sem significado. Resultado de minutos gastos com coisa nenhuma. Minutos gastos a tentar que o cérebro se esqueça do desgaste, da pressão, de todas frases azedas que assimilou durante o dia.

Lembro-me muitas vezes de um poema de Álvaro de Campos.

 

“A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

(…) “ Álvaro de Campos

 

 

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