Monthly Archives: Maio 2015

“Quem tem alma não tem calma”

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Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem  alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :  “Fui  eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa 

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meter a vida na arte

Quando jovem, Nadir compartilhara um quarto com um pintor cujos quadros foram aumentando de tamanho à medida que tentava meter a totalidade da vida na arte. “Olha para mim – dissera-lhe o pintor antes de se suicidar -, o meu desejo era ser miniaturista e acabei por contrair uma elefantíase!” A importância adquirida pelos acontecimentos da noite fez com que Nadir Khan se recordasse do camarada de quarto, pois, uma vez mais, perversa, a vida tinha-se recusado a ter apenas o tamanho da vida. 

Salman Rushdie, em ‘Os Filhos da Meia Noite’

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Impressões sonoras (25)

Há uns meses estava a passar os olhos pela filmografia da Keira Knightley. É uma atriz que, na minha opinião, ou se adora ou se odeia. No meu caso é a primeira opção que conta. Gosto muito dela e nem sei explicar bem porquê. Encontrei um filme chamado Begin Again (2013) de que nunca tinha ouvido falar. A descrição dizia que ela contracenava com Adam Levine, dos Maroon 5, e com o ator Mark Ruffalo. Achei esta mistura um pouco estranha, mas vi o filme exatamente por me parecer estranho. Para além de ter gostado (quem nunca gostou de um romance que atire a primeira pedra), descobri esta música que também nunca tinha ouvido. Há quem despreze Maroon 5, há quem despreze Adam Levine. Ah e tal, que é popularucho, parolo, demasiado pop, demasiado mainstream, demasiado não-sei-o-quê. Estou-me borrifando. O rapaz canta bem (comprovei isso quando o ouvi ao vivo), faz músicas simples, que trazem alguma paz e ainda por cima é giro que se farta (OK, menos).

A Keira Knightley, que não é cantora nem nada que se pareça, também tem uma música nesse filme. Uma música que consegue ser incrível de tão simples que é. Guardo essa para outro post. 

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Impressões fotográficas: Sebastião Salgado

Tea, Rwanda

Child worker at the Mata tea plantation, Rwanda, 1991

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