O baloiço, a praia

Vou folheando as páginas de um livro ao ritmo do baloiço que temos no quintal da avó. Um baloiço que tem a idade do meu irmão e continua a viver graças aos braços de uma laranjeira que todos os anos fica carregada.  Está um sol estranhamente quente para esta época do ano e o meu irmão, empoleirado no muro, vai apanhando laranjas para uma caixa.

– Queres um sumo?

– Não, obrigada. (Estou de mau humor).

Continuo a ler o meu livro. Desde sempre que me sento neste baloiço, onde já pensei sobre tantas coisas. Tantas coisas que já esqueci. Daqui a uns anos também já não vou recordar o porquê do meu mau humor de hoje.

A casa da minha avó fica a menos de dez minutos de carro da praia. Vamos lá sempre. Vamos tomar café, vamos apanhar sol, vamos limpar a alma de rotinas que gostaríamos de não ter. De mágoas que queríamos esquecer.

O areal da praia de Santa Rita é enorme e o mar está quase sempre revolto. Mesmo assim é a nossa praia. Aquela onde voltamos sempre, a única a que a minha família é fiel. Tantos dias de vento, de nuvens e de frio que enfrentámos só porque aquela é a nossa praia.

Se não fosse ela a nossa existência seria mais triste.

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