Monthly Archives: Março 2012

The Way Back (2010)

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Valka: Don’t you know what “Stalin” means, funny man? Means man-of-steel. He takes from rich, and gives to poor.
Zoran: Yes, of course he does. Then he takes both of them, and puts them in Gulag for 25 years.

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Da arte de não saber fazer

De repente apercebeu-se de que já não sabia escrever. As vírgulas caiam no papel como pingos de chuva.  Os pontos finais, ridiculamente gordos, apareciam nos sítios mais improváveis. As letras, aquelas letras tristemente coladas e encavalitadas, não passavam de um labirinto confuso. Já não sabia onde raio iria largar os pontos de exclamação feitos a régua porque, afinal, já não serviam de nada. No fim, uma mancha preta, em coluna, sem sentido, sem estética, sem glória. Erros grandes e pequenos, erros patéticos de quem já nem precisa de vogais. Porque são só erros. E já que são erros, que vençam as consoantes então. Também têm os seus direitos. Erros magros ou obesos, não interessa, são sempre erros e há que pagar por eles. Depois, quando lhe disseram que já não sabia escrever, pousou a caneta e acreditou.

Neste exercício os pés não são en dehors, são paralelos. Portanto, trata de os pôr em paralelo. E por amor de Deus, endireita-me essas costas. Podes deixar cair os braços, porque aqui não vais precisar deles esticados. Costas direitas e braços caídos, os pés paralelos. Será assim tão difícil? Convém dizer que os grand jeté não são para marcar, são para fazer. F-a-z-e-r. Desculpa, tens razão.

A Belinha um dia recomendou-nos chapéus de chuva amarelos por causa da chuva, mas eu perdi esse poema e outro sobre pirilampos. Achava que ia saber escrever para sempre e guardei-o num sítio de que agora me esqueci. Se calhar ao pé da antena que só funcionava quando queria e que gostava que nos aproximassemos dela. Coitada, também ela achou que eu ia saber escrever para sempre, a antena. Acho que quando não funcionava o que queria era dar-nos tempo para decorarmos as capitais do mundo todo. Não decorei, mas agora também já não interessa porque já não sei escrever. Mas ao menos fui a Tallinn. E a Belinha, com os seus pés de bailarina em contramão, esteve em Pequim. Essas eu tinha decorado.

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