Monthly Archives: Dezembro 2010

Zoom in, Zoom out (3)

– Olá. Bem-vindos! Trouxeram as vossas colheres?

– As nossas colheres?

– Sim, para comer a sopa precisam de colheres. O que é que fizeram às vossas? Venderam?

– É a primeira vez que estamos aqui. Desculpe. Não estamos a perceber.

– Não sabem que nos tempos medievais cada pessoa tem a sua própria colher?

– Desculpe?

– Ah, já percebi. Vocês também vêm do futuro.

[Talin, Estónia]

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Modernidade já fala árabe

Sheikha Mozah al-Missned do Qatar

É uma das três mulheres do Emir do Qatar, mas só ela tem direito a aparecer publicamente ao lado do marido. Membro da comissão que vai organizar o Mundial de futebol de 2022, Mozah é sinónimo de modernidade no mundo árabe

Quando em 2003 Mozah al-Missned apareceu ao lado do marido numa entrevista transmitida pela televisão estatal, o Qatar ficou em estado de choque. Nunca antes a mulher de um dos seus líderes tinha aparecido em público.

 Passaram sete anos. E se até aqui os mais distraídos não tinham ainda reparado em Sua Alteza Mozah, uma das mais mulheres mais influentes do mundo árabe, finalmente foram obrigados a fazê-lo quando há uma semana foi anunciado que será o seu pequeno país a organizar o Mundial de futebol em 2022.

Durante a cerimónia da FIFA em Zurique, sem dispensar a elegância que lhe tem valido rasgados elogios em todos os países por onde passa, Mozah foi o centro das atenções com o seu discurso de agradecimento.

A fortuna do marido, avaliada em dois mil milhões de dólares sem contar com um astronómico fundo soberano, permite-lhe encher o seu guarda-roupa de peças Chanel, Jean Paul Gaultier, Givenchy, Valentino e de colecções inteiras de sapatos de Christian Louboutin.

 À primeira vista, Mozah, uma das três mulheres do Emir Khalifa al- -Thani e mãe de sete filhos, poderia parecer só mais uma barbie árabe com jeito para esbanjar os petrodólares do marido. Mas a sua inteligência, aliada a um espírito de iniciativa incansável, têm ajudado a projectar o Qatar aos olhos do mundo como um país que aposta no desenvolvimento do sistema educativo, na saúde e na investigação científica.

A educação das jovens, pouco encorajada ou mesmo evitada em boa parte dos países árabes, é uma das principais preocupações da monarca. “Devemos ser leais às tradições islâmicas, insistindo na aplicação da igualdade garantida pela nossa religião e providenciando um ambiente próprio para que as jovens possam crescer e prosperar”, explicou em 2006 durante uma conferência em Doha, capital do Qatar, onde 70% dos estudantes universitários são mulheres. Ao contrário de outros países islâmicos, sobretudo no golfo Pérsico, no Qatar as mulheres são autorizadas a conduzir e a trabalhar fora de casa. Ainda assim, o regime autoritário do Emir continua a despertar preocupações entre organizações de defesa dos direitos humanos.

Com apenas 18 anos, antes de ter terminado a sua licenciatura em Sociologia, Mozah recebeu uma proposta de casamento: o herdeiro do trono estava interessado em ter uma segunda mulher e tinha sido ela a escolhida. Em 1977, a menina que nasceu na cidade de Al Khor, no Norte do país, recebeu o título de sheikha e durante anos permaneceu no anonimato. Após a sua primeira aparição pública, que muitos dizem ter sido uma jogada de mestre dos governantes do país, Mozah, que em 2007 foi nomeada pela revista Forbes como uma das mulheres mais influentes do mundo, começou rapidamente a transformar-se numa importante imagem de marca do país. Até aí, era a cadeia de televisão Al-Jazeera que desempenhava esse papel.

Embaixadora especial da UNESCO para a educação básica e superior, Mozah apoia inúmeros projectos educativos um pouco por todo o mundo e convenceu o marido a doar 15 milhões de dólares (11 milhões de euros) para a reconstrução de universidades no Iraque.

Para esta mulher de 51 anos, que tem conseguido aliar uma postura moderna ao respeito pelas tradições, a organização do Mundial é uma oportunidade única para todo o mundo árabe de corrigir “os mal-entendidos que prevalecem no Ocidente” sobre os países islâmicos.

[Publicado no Diário de Notícias a 11 de Dezembro de 2010]

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Impressões sonoras (15)

 

Florence and The Machine – You’ve Got The Love (unplugged)

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Pride and Prejudice (2005)

 

Elizabeth Bennet: And that put paid to it. I wonder who first discovered the power of poetry in driving away love?
Mr. Darcy: I thought that poetry was the food of love.
Elizabeth Bennet: Of a fine stout love, it may. But if it is only a vague inclination I’m convinced one poor sonnet will kill it stone dead
Mr. Darcy: So what do you recommend to encourage affection?
Elizabeth Bennet: Dancing. Even if one’s partner is barely tolerable.

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Intermitências da vida

— Louco. Não desças por aí. Ainda te matas.

— Deixa-me estar. Gosto de morrer de vez em quando.

— Sim? E costumas morrer muitas vezes, é?

— De vez em quando.

— E o que é que fazes enquanto estás morto?

— Vivo em paz.

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Impressões sonoras (14)

Gorillaz – Crystalized  (The xx cover)

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Zoom in, Zoom out (2)

Suomenlinna, Finland

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