Monthly Archives: Junho 2010

Blood Like Lemonade

«“What does the new Morcheeba record sound like?” My answer? “It sounds like Morcheeba”.»  E de certeza que todos os fãs da banda britânica concordarão com Skye Edwards. A ex-vocalista dos Morcheeba está  finalmente (e felizmente)  de volta em  Blood Like Lemonade, quase sete anos depois de ter deixado o grupo.

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Impressões sonoras (10)

‘A tua secura não é errada. É só a forma em que embalas a tua ternura. Eu sei bem que gostavas de andar nua. Mas o mundo está aquém das tuas vontades’

Les Saint Armand (myspace)

Para ouvir, depois ouvir mais e ouvir outra vez.

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dizes metamorfose e segues adiante

“Aí está uma palavra que soa bem, cheia de promessas e certezas, dizes metamorfose e segues adiante, parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais que isso, os nomes que lhes deste” J.S. em As Intermitências da Morte

Num discurso de homenagem a José Saramago, Gabriela Canavilhas (que, de resto, fez um discurso de homenagem sublime) citou hoje um amigo de Pilar del Rio que escreveu:  “não há palavras, Saramago levou-as todas”.  Para mim, Saramago foi, mas, felizmente, deixou-nos as palavras. Todas as palavras de uma obra – digam o que disserem – incomparável.

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Rosto de Tiananmen luta para voltar à China

Wu'er Kaixi

Em 1989 destacou-se como líder estudantil em Tiananmen. Exilado em Taiwan, tenta agora voltar à China, 21 anos depois  do massacre que chocou o mundo.

“Acho que é justo dizer que, tendo sobrevivido a um massacre, carregarei a culpa para o resto da vida.” Pronunciar o nome do autor desta frase é quase tão difícil quanto o seu tumultuado percurso de vida. De certa maneira, a tensa região onde nasceu já pressagiava que os problemas com o Governo chinês poderiam começar a qualquer momento. Xinjiang é uma província autónoma da China e foi lá, na região de Illi Kazakh, que em 1968 nasceu Wu’er Kaixi, o homem que 21 anos mais tarde viria a ser considerado um dos mais importantes líderes dos protestos estudantis na Praça de Tiananmen.

Xinjiang tem sido palco de conflitos entre os dois grupos étnicos majoritários na região – os uigures (muçulmanos de língua turca) e os Han (chineses) – e as autoridades do país. A troca de acusações é constante. Xinjiang acusa o Governo liderado por Wen Jiabao de ter aspirações “imperialistas”. Este, por sua vez, caracteriza a região autónoma como sendo “separatista” e “extremista”.

Mas foi na capital, quando frequentava a Universidade Normal de Pequim, que Wu’er viria a tornar-se num dos mais perseguidos dissidentes na China. Tudo começou quando decidiu juntar-se aos colegas que em Maio de 1989 iniciaram uma greve de fome exigindo mais liberdade e menos corrupção governamental. “O que queríamos era uma reforma dentro do Partido Comunista”, sublinhou durante uma entrevista no ano passado à revista Guernica.

Rapidamente se tornou num dos líderes dos estudantes, mas foi ao repreender o primeiro -ministro da época, quando este finalmente acedeu a falar com os manifestantes perante a televisão pública, que o mundo ficou a conhecer o seu nome. “Desculpe primeiro-ministro Li Peng, tenho de o interromper. Pediu desculpa por ter chegado atrasado cinco minutos, mas na verdade está um mês atrasado. Desde o dia 17 de Abril que queremos falar consigo.”

A reunião não teve qualquer resultado e a 4 de Junho soldados e tanques das forças governamentais ocuparam a praça de Tiananmen e dispararam sobre milhares de civis desarmados.

Wu’er conseguiu sobreviver ao massacre. Na mesma entrevista à revista norte-americana, confessou que “acordava todas as noites” com a memória do massacre, não por medo, mas “por culpa”. Ainda assim, sente que “fez tudo o que pode para tentar retirar os estudantes da praça.”

Com 21 anos foi obrigado a deixar a China. Passou por França e pelos Estados Unidos, mas acabou exilado em Taiwan. Nunca mais esteve com a família, impedida pelas autoridades de viajar para fora do país. Quer voltar a vê-los, mesmo que isso signifique ir parar à cadeia. Foi o que tentou fazer no ano passado, no 20.º aniversário do massacre de Tiananmen, quando entrou em Macau para se entregar às autoridades chinesas. Acabou por ser deportado para Taiwan, onde durante muitos anos trabalhou na rádio como comentador . Foi lá que casou e teve dois filhos, mas é à sua terra natal que deseja voltar.

No dia 4 deste mês, 21 anos depois dos acontecimentos na “Praça Celestial”, foi detido quando invadiu a embaixada chinesa no Japão. Libertado dois dias depois, fez questão de deixar bem claro que não está disposto a desistir.

[Perfil de Wu’er Kaixi publicado a 19 de Junho no Diário de Notícias]

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Impressões fotográficas: Catarina Reis da Fonseca

Tirada há já alguns anos, em Aveiro.

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Notícias de LJ

Prešeren Trg, Ljubljana

Os eslovenos disseram “sim” (52%) à participação de árbitros internacionais na realização de um acordo que pode acabar com a disputa territorial que dura há quase 20 anos.  Basicamente, a Croácia queria metade da baía de Piran (ou via metade da baía de Piran como sendo sua). Os eslovenos, entalados entre a costa italiana e a costa croata com os seus poucos quilómetros de costa à beira do Adriático,  queriam acesso directo a alto mar. A questão envolvia ainda quatro aldeias fronteiriças.

Parece que está tudo prestes a resolver-se e a Croácia dá, assim, mais um passo em direcção à União Europeia. Isto porque o Governo de Ljubljana bloqueou no ano passado as conversações sobre a integração do país vizinho, até que a questão das fronteiras fosse resolvida. Quando em Setembro se decidiu recorrer a arbitragem internacional para resolver o caso, a oposição eslovena achou que o assunto tinha de ir a referendo. Referendado está.

Só não me parece que, infelizmente, a opinião que  eslovenos têm dos croatas, e vice-versa, vá melhorar a par com a resolução da disputa fronteiriça.

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Tu tu tururu

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