Esclarecimentos

Gosto de estações de comboio.  Gosto de olhar para as outras pessoas na sala de espera: tentar adivinhar para onde vão ou o que vão fazer.

A pessoa de hoje viajava sozinha, com uma mala de campismo não muito cheia. Parecia português. Depois vi um cadeado pendurado na bolsa de fora da mochila. Ninguém anda com cadeados em viagens pequenas, para quê que podem servir? “Ok, secalhar não é português”. Mas não sendo de cá, deve ter vindo visitar alguém; de certeza que não anda por aí a vaguear sozinho.  Até que a pessoa, que nem casaco trazia, abre um mapa: “Interail”. E era esta uma das alturas em que valia a pena falar com desconhecidos: “onde é que arranjou coragem para andar pelos carris da Europa sozinho?”.

Mas não perguntei. Limitei-me a ficar a vê-lo assobiar para os pombos que por ali saltitavam a pedinchar migalhas.

No post anterior :”(…)Ou então são como eu, não têm especial apetência para falar com desconhecidos só porque sim”.

Entenda-se que “só porque sim” diz respeito a comentários sobre o estado do tempo, a Ais! de “a vida está tão difícil” ou diálogos cliché afins. Foi isso que quis dizer.

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2 comentários

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2 responses to “Esclarecimentos

  1. Concordo plenamente. É por isso que, um pouco ao contrário do que é costume, gosto tanto de estações e de aeroportos.

  2. Pedro

    As estações de comboio – e todos os sítios aonde se chega e donde se parte – são bastante propícias à reflexão sobre a vida das pessoas e, por extensão, da nossa.

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