Impressões Sonoras (2)

Ontem ia pela rua com aquele aparelhómetro nos ouvidos que nos faz parecer uns parvos sempre que alguém nos aborda na rua. “Desculpe, pode repetir? Não ouvi o que perguntou”. Mas, digamos que nesta cidade (só nesta?) já não há muitas pessoas que queiram falar com outras. Ou vão a pensar no trabalho que ainda têm para fazer quando chegarem a casa ou então têm medo de ser assaltadas, burladas, raptadas ou qualquer coisa semelhante a isto. Ou então são como eu, não têm especial apetência para falar com desconhecidos só porque sim. Há quem chame a isso ser antipático. Enfim, seja.

[Deve ser por isso que até me adaptei razoavelmente bem a esta cidade. ]

O meu objectivo não era divagar, era só dizer que a Tracy Chapman estava a cantar no meu mp3. “There are birds and some are singing to greet every new day that may come, like the first of spring”. E eu pensei:  “com certeza que não sou o único ser vivo feliz com o fim do Inverno, o tempo até parece que está a melhorar e tudo”. Depois olhei para as caras das pessoas quando entrei no metro e fiquei na dúvida. Mas enfim, de qualquer maneira pensei postar aqui um vídeo de “Spring” , a tal que a Tracy estava a cantar,  mas dado que neste momento o vento está prestes a arrancar a minha janela, decidi reconsiderar. Fica Morcheeba e quanto à Primavera logo se vê.

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3 comentários

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3 responses to “Impressões Sonoras (2)

  1. Anónimo

    Há uma coisa que faz as pessoas parececem mais parvas do que um mp3 e phones nos ouvidos: falar ao telemóvel com um kit de mãos livres (é assim que a coisa se chama?). Uma pessoa de mp3 e phones nos ouvidos parece-me é alguém que está suficientemente à vontade para ouvir música e se fechar um bocadinho no seu mundo porque acha que não vai ser interpelada. Quando, de facto, estou de phones nos ouvidos e alguém me interpela, parece-me o maior ultraje de sempre, mas a culpa é minha, porque “não tinha nada de estar com phones nos ouvidos”.
    ______

    Às vezes, ao olhar para a cara das pessoas, no metro ou na rua, parece-me que aquilo que realmente estou a ver é um mar genérico de gente desinteressante. Depois, pergunto-me se isso não será exactamente o que qualquer pessoa pensa ao olhar para mim, no meio desse mar; pergunto-me se, para lá de personagens que fazem uma cidade ter sentido, não estarão ali, afinal, pessoas como eu.

  2. Andreia

    És tu e eu, estamos as duas terrivelmente felizes com a chegada da Primavera. (vamos mais vezes ao Bairro? eh eh) E sim, também adoro vaguear pela cidade com essa coisa maluca aos ouvidos :P

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