Ele descobriu os segredos de Gordon Brown

As três filhas adolescentes fizeram cara feia quando souberam que este Inverno não iam poder ir à neve. Mas quem está prestes a lançar um livro em que se acusa o primeiro-ministro inglês de ter ataques de fúria no trabalho fica com pouco tempo para dedicar ao esqui. Ao esqui, ao mergulho ou aos jogos de mah-jong que Andrew Rawnsley tanto aprecia.

Costuma ser ele a dar as notícias sobre política, mas agora é o seu nome que está espalhado por todos os jornais britânicos. Tudo porque, no próximo dia 1 de Março, o autor do best-seller Servants of the People, volta à carga com The End of the Party, que analisa a governação do Labour, partido no poder desde 1997. Licenciado em História pela Universidade de Cambridge, tem dedicado a sua carreira ao jornalismo político. Para muitos, nessa área, apenas Matthew d’Ancona, colunista do The Sunday Telegraph, atinge o mesmo nível de influência de Rawnsley. Mas é fácil perceber porquê. Este aluno de excelência, natural de Leeds, saiu da Universidade para a BBC, onde ficou durante dois anos. A partir daí nunca mais parou. Antes de se tornar editor e comentador de política no semanário The Observer, cargo que mantém até hoje, esteve oito anos ao serviço do The Guardian. Apreciador de vinho e filmes, tornou-se desde cedo numa cara conhecida do público britânico, até porque nunca se dedicou em exclusivo à imprensa escrita. Sempre com a política como pano de fundo, o homem que já entrevistou nomes como Tony Blair ou Gordon Brown foi apresentador de Westminster Hour, um programa de rádio da BBC, que trocou em 2006 pelo pequeno ecrã . Tornou-se co-apresentador de The Sunday Edition no canal ITV1. De fato e gravata, a par com Andrea Catherwood, entrava todos os dias às 11.00 em casa dos britânicos com entrevistas e discussão política.

“É um dever do jornalista, perante ele próprio e os leitores, ser inflexivelmente verdadeiro sobre as falhas dos poderosos. É igualmente uma obrigação reconhecer quando têm mérito.” São palavras de Rawnsley no The Observer do passado domingo, no mesmo dia em que o jornal fez uma pré -publicação do seu novo livro, causando agitação no meio político, com direito a um desmentido de Gordon Brown.

Com uma longa lista de prémios ao longo da carreira, foi seleccionado em 2008 para concorrer na categoria de jornalismo ao prémio britânico Orwell, que distingue os melhores trabalhos em escrita política. Ficou entre os finalistas por artigos como “Agonia de Brown dá a Blair razões para sorrir” ou “Procura-se: alguém para fazer o pior trabalho em política de hoje”.

No jornal universitário de Cambridge deu os primeiros passos. Hoje, via Twitter, diz que o seu braço direito vai ficar sem lhe falar durante alguns dias, depois de ter assinado mais de duas mil cópias do novo livro para enviar para a editora. Com toda a polémica gerada à volta de The End of the Party , é melhor que se habitue aos autógrafos, porque o caminho para best- seller parece estar já traçado.

(Perfil de Andrew Rawnsley publicado a 27 de Fevereiro no Diário de Notícias)

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