Monthly Archives: Março 2010

Impressões sonoras (3)

Je ne vois pas La Vie en Rose. [Mas não é por isso que gosto menos desta grande senhora.]

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Berluscas, o sempre-em-pé

Silvio Berlusconi ‘rouba’ quatro regiões à esquerda

Realmente começo a desconfiar que quando grande parte dos cidadãos italianos está em frente à televisão se limita a mudar do Canale 5 para o Itale 1 (a bonecada e as séries sempre vão distraindo o pessoal) e daí para o Rete 4.

E tendo em conta a taxa de abstenção nestas regionais, deduzo que aquilo que passa nos canais do grupo detido pelo primeiro-ministro italiano seja mesmo interessante. “Voto de protesto? não não, ‘tava a dar uma novela muita gira e ainda por cima o tempo estava esquisito”.

“Corrupção? Machismo? Alianças com partidos xenófobos? Escândalos sexuais? Ligações à máfia? Isso são tudo histórias que andam p’raí a inventar para denegrir o grande ‘Il Cavalieri’.” – Digo eu que será isto que uma pessoa pensa quando põe um boletim de voto na urna com uma cruz no quadradinho do Partido do Povo da Liberdade.

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Impressões fotográficas: Josef Koudelka

Praga (Agosto de 1968) por Josef Koudelka

“In 1969, a year after Russian tanks rolled into Prague, Josef Koudelka visited London with a Czech theatre group. One Sunday morning he was walking out of his hotel near the Aldwych Theatre when he saw some members of the theatre group perusing a copy of the Sunday Times magazine. As he passed, he saw to his surprise that they were looking at his own extraordinary photographs of that Russian invasion and the spontaneous street protests it provoked. The same photos have since become the definitive pictorial record of a pivotal event in 20th century history.” – The Guardian (Agosto de 2008)

Nota: Obrigada a Hanno Hardt, apesar do tom de voz baixo e monocórdico, por me ter mostrado em History of Documentary Photography o que há de melhor na História da fotografia.

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Ela é a ‘arma secreta’ de David Cameron

Pode ser um trunfo dos conservadores britânicos na campanha para as legislativas. Grávida do quarto filho, decidiu envolver-se publicamente na candidatura do marido

É azul o sangue que lhe corre nas veias. Dizem que é descendente de Carlos II de Inglaterra, o pai é um sir e a casa onde cresceu uma mansão. Para os amigos, é “SamCam”, vai de scooter para o trabalho e evita a todo o custo ser rotulada por títulos de nobreza.

Há 14 anos que Samantha Gwendoline Sheffield mudou o seu último nome para Cameron. Três filhos e mais um a caminho são fruto de um romance que começou aos 21 anos durante umas férias no Sul de Itália. O casamento em 1996 com o líder da oposição conservadora britânica, David Cameron, faz dela candidata a primeira dama.

A carreira como directora criativa de uma empresa de artigos de luxo não podia correr melhor. O empenhamento é tanto que chegou a receber a alcunha nada simpática de “Anna Wintour”, actual editora chefe da Vogue norte-americana, conhecida pelo seu extremo mau feitio. E é também à moda que Samantha se mantém atenta, sendo considerada um ícone no Reino Unido pelo seu estilo sofisticado.

Até agora, evitava envolver-se na vida política do marido, mantendo-se afastada dos problemas de Westminster. Mas as eleições legislativas aproximam-se e, apesar de estar à frente nas sondagens, David Cameron precisa de toda a ajuda possível. Por isso, anunciou recentemente que os britânicos “vão começar a ver muito mais” a mulher. Se for eleito, o líder dos Tories repetirá a proeza de Tony Blair, o primeiro governante em 150 anos a ter um filho enquanto cumpria funções de primeiro-ministro.

Samantha frequentou os melhores e mais caros colégios, mas ao chegar à Universidade de Bristol para estudar Belas-Artes, esforçou-se por se desligar dos hábitos herdados de uma família de aristocratas. Foi nesta altura que tatuou um golfinho no tornozelo e se tornou amiga do músico de trip hop “Tricky”. Já a compra de uma casa de 210 mil libras (230 mil euros) aos 21 anos não parece ser compatível com a vontade de ser uma estudante igual aos outros.

Uma infância privilegiada, um casamento feliz. Podia ser um conto de fadas, mas nem tudo tem sido fácil para esta mulher de 38 anos. Os Cameron perderam o filho mais velho no ano passado. Ivan tinha seis anos e nasceu com uma doença cerebral rara. “A Samantha tem a capacidade de lidar calmamente com as desilusões e dores da vida, sem perder a alegria de viver.” Foi assim que Annabel Astor, designer e dona de uma conhecida marca de móveis, descreveu a filha em 2007 à revista Harper’s Bazar.

Mas nem todos acham que está preparada para se mudar para o número 10 de Downing Street. “Sob a luz errada, ela pode parecer demasiado perfeita, demasiado confiante e demasiado controlada. Essas qualidades podem dar muito jeito enquanto apresentamos uma queixa ao nosso operador de telemóvel, mas menos quando se quer que uma nação se apaixone por nós”, criticou esta semana uma colunista do The Guardian a propósito de uma sessão fotográfica protagonizada por Samantha.

O marido diz que ela é uma das suas “armas secretas” nesta campanha, só resta saber se no dia 6 de Maio é à porta dos Cameron que vai estar o camião das mudanças.

[Perfil de Samantha Cameron publicado a 27 de Março de 2010 no Diário de Notícias (DN Gente).]

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Garrafões, Jardins do Éden e Noivas no CCB

Sr. Vinho (2010)

Coração Independente Dourado (2004)

 

“Sem Rede” de Joana Vasconcelos no CCB até 18 de Maio. Vale mesmo a pena.

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Esclarecimentos

Gosto de estações de comboio.  Gosto de olhar para as outras pessoas na sala de espera: tentar adivinhar para onde vão ou o que vão fazer.

A pessoa de hoje viajava sozinha, com uma mala de campismo não muito cheia. Parecia português. Depois vi um cadeado pendurado na bolsa de fora da mochila. Ninguém anda com cadeados em viagens pequenas, para quê que podem servir? “Ok, secalhar não é português”. Mas não sendo de cá, deve ter vindo visitar alguém; de certeza que não anda por aí a vaguear sozinho.  Até que a pessoa, que nem casaco trazia, abre um mapa: “Interail”. E era esta uma das alturas em que valia a pena falar com desconhecidos: “onde é que arranjou coragem para andar pelos carris da Europa sozinho?”.

Mas não perguntei. Limitei-me a ficar a vê-lo assobiar para os pombos que por ali saltitavam a pedinchar migalhas.

No post anterior :”(…)Ou então são como eu, não têm especial apetência para falar com desconhecidos só porque sim”.

Entenda-se que “só porque sim” diz respeito a comentários sobre o estado do tempo, a Ais! de “a vida está tão difícil” ou diálogos cliché afins. Foi isso que quis dizer.

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Impressões Sonoras (2)

Ontem ia pela rua com aquele aparelhómetro nos ouvidos que nos faz parecer uns parvos sempre que alguém nos aborda na rua. “Desculpe, pode repetir? Não ouvi o que perguntou”. Mas, digamos que nesta cidade (só nesta?) já não há muitas pessoas que queiram falar com outras. Ou vão a pensar no trabalho que ainda têm para fazer quando chegarem a casa ou então têm medo de ser assaltadas, burladas, raptadas ou qualquer coisa semelhante a isto. Ou então são como eu, não têm especial apetência para falar com desconhecidos só porque sim. Há quem chame a isso ser antipático. Enfim, seja.

[Deve ser por isso que até me adaptei razoavelmente bem a esta cidade. ]

O meu objectivo não era divagar, era só dizer que a Tracy Chapman estava a cantar no meu mp3. “There are birds and some are singing to greet every new day that may come, like the first of spring”. E eu pensei:  “com certeza que não sou o único ser vivo feliz com o fim do Inverno, o tempo até parece que está a melhorar e tudo”. Depois olhei para as caras das pessoas quando entrei no metro e fiquei na dúvida. Mas enfim, de qualquer maneira pensei postar aqui um vídeo de “Spring” , a tal que a Tracy estava a cantar,  mas dado que neste momento o vento está prestes a arrancar a minha janela, decidi reconsiderar. Fica Morcheeba e quanto à Primavera logo se vê.

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