Memórias de Ljubljana

(Crónica publicada a 31.10.09 no espaço “Fugas do Leitor” da “Fugas” , suplemento de sábado do jornal “Público”)

A minha “fuga” durou um pouco mais do que as que habitualmente aqui se relatam.

Foram seis meses na capital de um país que, por cá, suscita, muitas vezes, perguntas como, “estiveste na Eslováquia não foi?”. Eslovénia, foi Eslovénia. São pouco mais de dois milhões os habitantes deste pequeno, mas encantador, país que, até 1991, foi uma república da ex-Jugoslávia.

Fui estudar para Ljubljana (ou Liubliana,como se diz em Portugal) durante um semestre e, confesso, o mais difícil foi voltar. É uma cidade pequena e acolhedora e , por isso mesmo, apaixonante. A maior parte da minha estadia coincidiu com os dias frios e de grandes nevões que cobrem a cidade de branco durante os meses de Inverno. Mas isso não foi impedimento para conhecer todos os recantos da cidade.

Subir até ao castelo é obrigatório para quem passa por esta capital; a vista deslumbrante é imperdível. Mas são as ruas do centro histórico, que me levam a querer voltar num futuro próximo . Nunca me aborreci de caminhar até à ponte dos Dragões , um dos símbolos da cidade, ou andar p’ra lá e p’ra cá em Mestni, a minha rua preferida. Uma rua larga, silenciosa, de casas coloridas, lojas e restaurantes convidativos e aquele café ao fundo com umas mesas altas em que passei horas sem ver as horas passar.

São inúmeras as coffee-shops junto ao rio Ljubljanica, que atravessa o centro da cidade. Apesar do frio cortante, os eslovenos preferem as esplanadas sempre que não chova ou neve. Nos passeios da cidade é preciso ter cuidado para não caminhar nas vias destinadas às bicicletas e que, no nosso país, têm muito pouco uso. Na capital eslovena , praticamente toda a gente tem uma bicicleta. É incontável o número de pessoas que, todos os dias, se desloca neste meio de transporte e que acabam por, quase sempre, se cruzar na praça Prešeren, o ponto central da cidade. Daqui, seguindo pela ponte tripla, chegamos ao mercado ao ar livre , em que todas as manhãs é possível encontrar desde flores a fruta, roupas ou artesanato. Ljubljana é uma cidade moderna e, cada vez mais, cosmopolita. O inglês ouve-se por todo o lado, já que, para além dos turistas, a cidade acolhe todos os anos centenas de estudantes ao abrigo do programa Erasmus.

Mas a Eslovénia não é só Ljubljana. É o Lago Bled,o esqui nos Alpes, ou a costa do Mar Adriático. Enfim, nenhuma crónica será suficiente para explicar por que é que depois de Praga, Viena ou Veneza, será a Ljubljana que irei voltar primeiro.

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5 comentários

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5 responses to “Memórias de Ljubljana

  1. Xarlie

    Em 2009 fiz cá Erasmus e já vamos em 2011 e por cá continuo :) A cidade e o país têm algo de especial que só quem cá vem sabe o que sentimos.

  2. Pedro

    É curioso reparar que há sítios pouco prováveis (no sentido de não serem destinos de viagem óbvios) que nos podem marcar. Mais curioso, e talvez frustrante, é reparar que há dezenas de sítios que nunca vamos conhecer e que nos marcariam se os conhecêssemos. Poder-se-ia dizer que o que interessa não é onde se está; interessa é com quem se está e em que circunstâncias. Embora isso tenha o seu quê de verdade, não sei se concordo totalmente. Afinal de contas, as memórias que descreves são da cidade e das pessoas da cidade – a cidade marcou-te. Se tivesses ido parar a outro país qualquer, o que não aconteceu porque não calhou, provavelmente sentirias a mesma nostalgia, mas foi à Eslovénia que foste parar e é a Eslovénia que é especial para ti, mais do que outros sítios que conheces e do que todos os que nunca vais conhecer, por não calhar. Acho que é assim que ficamos com sítios especiais.

  3. Mt bom post, por momentos estive lá outra vez… em pele de galinha!

    • Muito obrigado. Ljubljana é mesmo para sempre. Espreitei o seu/(teu?) blog e acho que também tenho que voltar lá, para ver se me livro deste sentimento de perda.

      • Preseren

        “teu”.
        nao sei se alguma vez me livrei desse sentimento. já lá vao 4 anos, mas continuo fascinado (obececado) pela cidade. as vezes adormece por uns meses mas acaba sempre por voltar. foi demasiado bom, demasiado intenso para dizer que foi um capitulo da minha vida e ponto final. vivo ha 2 anos e meio em madrid e nem de perto nem de longe sinto o que sinto por ljubljana (4,5 meses).
        como diziam os gajos do big brother, “apesar de nos verem, as pessoas nunca vao perceber realmente o que vivemos aqui”.

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