“Até Fernando Pessoa se queixou, dizia que abismo sem ‘y’ não era abismo”

Três dias depois da entrevista o destino era Nova Iorque. Ser o melhor aluno do curso tem destas coisas. Frequenta o último ano de Ciências da Linguagem na Universidade do Porto e foi convidado para dar aulas no próximo semestre. Chama-se Pedro Tiago Martins e diz que está nervoso. Não sabe porquê. Está de acordo com o “Acordo”, mas entende quem não está. É na linguística que se sente à vontade e é por isso que o nervosismo desaparece à medida que a conversa avança

Catarina Reis da Fonseca

Durante este ano deverá ser implementado o novo Acordo Ortográfico em Portugal. Por que é que tem havido tanta resistência à entrada em vigor destas novas regras?

Essa resistência está relacionada essencialmente com duas coisas. Em primeiro lugar, ninguém gosta que se mude algo que dominamos. Se, de repente, nos mudam as regras do jogo, não achamos muita piada. É isto que se passa com a ortografia, as pessoas sente-se ameaçadas. Há, aliás, a ideia de que estamos a render-nos à ortografia brasileira.

E não estamos?

Não, acho que não estamos. A ortografia do português do Brasil é mais evoluída do que a nossa, é mais transparente. Digamos que nós temos de decorar quando é que o “c” ou um “p” é mudo ou não. Os brasileiros não têm esse problema porque já eliminaram todas as consoantes mudas.

Voltando à questão incial. Qual é a outra razão para a hesitação em relação ao Acordo?

Uma coisa em que quase ninguém repara ou não sabe é que neste momento estamos sob o acordo ortográfico de 1945. Os nossos avós, por exemplo, já passaram por ele. É verdade que havia menos gente a saber escrever, mas as pessoas não se queixaram tanto como se queixam agora. Antes disso houve também o acordo de 1911 e o de 1931.

Mas, como referiste, nessa altura não havia tanta gente a saber escrever.

Em 1911 foi mesmo uma tentativa de diminuir o analfabetismo. Quando se implementou a República não havia nenhuma lei sobre isso, cada um quase que escrevia como queria.  Juntaram várias pessoas importantes da área da filologia (a linguística ainda não existia na altura) e chegaram a um acordo. Até Fernando Pessoa se queixou na altura, dizia que abismo sem “y” não era abismo.

Depois em 1945 voltou a elaborar-se um novo acordo…

Exacto, em 1945 entrou em vigor um novo acordo que é aquele que utilizamos até hoje. Muitas das alterações que são introduzidas agora são muito parecidas com as 1945, só que nessa altura não foram aplicadas a todas as palavras. Há palavras que na altura perderam o “c” e o “p” e outras que só agora vão perder, com a entrada em vigor do acordo de 1990.

Onde queres, então, chegar ao dizer que ninguém se lembra que estamos sob o acordo de 1945?

O que quero dizer é que o argumento que algumas pessoas apresentam de que estas alterações significam a perda de identidade da língua não tem muito fundamento. Qual é a língua original, então? Só se for o latim, porque já houve tantas alterações que perdemos tanta identidade agora como em 1911 ou 1945.

Isso significa que pessoas estão pouco informadas sobre este assunto?

Sim, porque aquilo que as pessoas dizem sempre é que não faz sentido mudarmos agora a maneira de escrever. Só que isso já foi feito imensas vezes, em muitas línguas.

Mas não há o risco de se gerar um certo caos ortográfico nesta fase de transição para o novo acordo?

Essa fase de transição significa que não há alguém a dizer que amanhã temos todos de escrever desta maneira. Há um período de adaptação de seis anos.

E será possível em seis anos as pessoas habituarem-se a esta nova ortografia?

À partida, as pessoas, hoje em dia, têm mais conhecimentos e mais informação do que quando entraram em vigor os acordos anteriores e, portanto, deverá ser mais fácil adaptarem-se.

E  se fosse decidido eliminar os sotaques e exigido que falássemos todos da mesma maneira? Não é, de certa forma, o que se está a fazer com a ortografia?

Não, isso é uma outra questão, porque há uma grande diferença entre a ortografia e todos os outros aspectos da língua. A escrita é convencional, portanto é suceptível a alterações. Também não fazia nenhum sentido se alguém decidisse alterar a conjugação dos verbos por exemplo, porque isso está integrado na parte natural da língua, ninguém pode legislar sobre isso.

Quem não respeitar o acordo depois do periodo de adaptação vai estar a cometer erros ortográficos?

Sim, era como  se hoje eu escrevesse  farmácia com “ph”  ou “augmentar” em vez de “aumentar” . Pessoalmente, até acho mais bonito em termos estéticos e conheço muitas pessoas que concordam com o acordo do ponto de vista formal, mas que dizem que em termos  emocionais a mudança vai ser mais complicada.

É compreensivel a relutância das pessoas?

Se eu não estivesse nesta área provavelmente iria ser contra o acordo ortográfico. Não ia ter fundamentos linguísticos para aceitar facilmente as mudanças.

Então é natural que as pessoas que não têm essas bases sejam resistentes à mudança…

Sempre que se dá alguma mudança em algo a que estamos habituados e com que nos sentimos bem , há resistência. Mas a ortografia deve ser simples e, se é possivel simplificá-la, então  deve-se fazê-lo.

A razão para esta mudança reside só na simplificação ou também há interesses económicos?

Pode ser que haja algumas razões económicas. Mas quem faz o acordo, quem “decide” as alterações a implementar, não se preocupa com esse tipo de questões. Não foram os governantes que ratificaram o acordo que o elaboraram. Provavelmente, muitos deles nem sabem o que vai acontecer.

Há alguma possibilidade de haver um boicote a este acordo?

Há essa possibilidade, mas se ele for mesmo implementado por lei não vejo por onde escapar. Aliás, há escritores famosos que dizem que não vão respeitar o acordo. Mas literatura é arte, têm maior liberdade para escrever da forma que quiserem.

A língua portuguesa não vai, então, na tua opinião, ficar a perder com este acordo.

Não vai haver ninguém a falar de maneira diferente. Vai ser exactamente igual só que a ortografia vai ser diferente. Hoje em dia o português do Brasil é mais conhecido do que o nosso e termos uma ortografia em comum pode incentivar mais pessoas a estudar o português de Portugal.

O assunto tem sido bastante discutido entre linguistas, mas este é um assunto pouco acessível ao público em geral. Achas que as pessoas fazem alguma ideia do que são as ciências da linguagem?

Penso que não. Ao contrário de outras ciências com as quais vamos entrando em contacto ao longo da vida,  com a linguística isso não acontece. Há a consciência do que está certo e do que está errado em termos de língua, mas não há a noção de que existem ciências que estudam as estruturas da língua quase como se  de um código genético se tratasse.

Como é que se explica resumidamente em  que é que consiste esta ciência?

A linguística é o nome da ciência que estuda as línguas naturais que, ao contrário das línguas construídas, como o esperanto ou as línguas de programação, são línguas que surgem sozinhas, sem ninguém fazer nada. Porque os seres humanos têm uma capacidade inata para a linguagem e desenvolvem sozinhos uma língua, como o português por exemplo.

Então as línguas naturais são aquelas que falamos?

As línguas naturais são aquelas que nós falamos, não há ninguém que inventa as regras. Já o que está “mal” e o que está “bem” é definido por convenções. Não houve um grupo de pessoas que se juntou e decidiu que as coisas se fazem de uma outra maneira. As regras surgem naturalmente e é isso que a linguística estuda: como é que isso acontece e por que é que acontece.

O que é o esperanto?

O esperanto é uma língua construída por um senhor polaco chamado Zamenhof que tinha a ideia, um pouco utópica, de criar uma língua comum entre todas as pessoas e para isso usou elementos de diversas línguas. É muito provável que mesmo sem aprender esperanto , nos seja possivel perceber um texto nessa lingua, bem como os franceses ou os ingleses por exemplo, já que ela contém elementos comuns a todas estas línguas.

Uma espécie de Torre de Babel…

É quase isso. Já há falantes nativos de esperanto, porque há pessoas que aprenderam e só falaram esperanto com os filhos e por isso passou a ser a sua primeira língua.

Existem várias áreas dentro da linguística.

Sim, existem várias áreas que abordam partes mais específicas da linguística. Por exemplo, existe a fonologia que estuda o sistema de sons. Não é o mesmo que fonética, porque a fonética estuda as propriedades físicas do som, é como física mas aplicada aos sons da fala.

As ciências da linguagem não estudam a fonética?

Nem toda a gente considera a fonética como sendo uma ciência da linguagem, embora se acabe por agrupar. É uma área muito importante. É com a fonética que se faz terapia da fala ou que se estudam os sons físicos de uma língua

Por exemplo, nas entradas do dicionário existem aquelas indicações fonéticas…

São transcrições fonéticas. Isso contrapõe-se à fonologia porque a fonética não tem em conta a representação mental da língua. A língua está no cérebro primeiro e depois é que está cá fora e é isso que a fonética estuda, o que está cá fora.

Então isso significa que as ciências da linguagem não estudam representações fonéticas?

Estudam as representações que estão no cérebro, representaçãos mentais, o que está antes de falarmos. Até porque há pessoas mudas que percebem o que dizemos. Se não conseguem falar como é que percebiam? Porque a língua está no cérebro, até se chama mente/cérebro, é o nome que é dado por Chomsky.

E para além da fonologia, quais as outras áreas estudadas?

As ciências da linguagem incluem também a sintaxe que estuda a ordem das palavras, a concordância e a selecção. Depois há a semântica que estuda o significado das palavras, das frases e de morfemas. A morfologia , que é uma espécie de sintaxe mas ao nível da palavra em vez de ser ao nível da frase, estuda as combinações de morfemas que são as várias partículas que compõem as palavras. Fazem-se ainda estudos ao nível da pragmática.

E quais são as aplicações práticas desta ciência?

Línguistica Aplicada ou Aplicações Directas da Linguistica não se vêem tanto como noutras ciências, mas vê-se muito facilmente, por exemplo, quando se vai ao tradutor do “Google”, que não funciona à base da simples equivalência de palavras. Há muito trabalho envolvido. Tem que se estudar muito bem as estruturas de uma língua e de outra para haver tradução automática, por exemplo.

Mas em que medida é que os tradutores automáticos estão relacionados com a linguística?

Tem que haver um conhecimento e um estudo muito grande da estrutura de cada uma das línguas para que estás a traduzir. Não é palavra por palavra porque se não saía uma coisa sem sentido.

E às vezes sai…

Sim, porque o sistema ainda não é perfeito.

E a nível mais conceptual, há alguma aplicação da linguística que possas destacar?

Uma das razões pela qual a linguística é muito importante é porque estuda uma das coisas que se têm quase a certeza de serem intrínsecas dos humanos, que é a linguagem verbal, que supostamente mais nenhum animal “tem”. Isto é muito importante na definição da espécie humana, porque é a sua característica principal.

A linguística pode, de alguma forma, dar um contributo a outras ciências?

Sim, há ligações com quase todas as ciências. Se pensarmos em qualquer uma delas, quase de certeza que podemos pensar numa “sub-ciência” relacionada com a línguistica. Existem implicações, por exemplo, a nível psicológico. Há muitas doenças que são previsíveis através do estado actual da língua da pessoa  que, neste caso, se estuda ao nível da linguística clínica.

Fazes investigação no Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP). Quais são as áreas em que incide mais a vosso trabalho?

Principalmente fonologia, embora eu me interesse por todas. Mas, no geral, a fonologia é a área em que, neste momento, existem mais pessoas a trabalhar no Centro.

Um exemplo concreto do produto dessas investigações…

Uma das coisas que fizemos foi elaborar uma base de dados com mais de uma centena gravações da fala de pessoas de todo o país e que daqui a uns meses vão estar disponíveis num site que vai estar sempre a crescer. Este pode ser um dos caminhos, através da fonética, para chegar a conclusões a nível fonológico.

Tens assistido a várias conferências fora de Portugal. Já foste a Manchester, Estocolmo, Helsínquia. Qual é a mais-valia destas viagens para os estudos que desenvolvem no CLUP?

Antigamente, esta era única forma de os cientistas se encontrarem, depois apareceram os telefones, a internet, enfim. Mas esta continua a ser a principal maneira para a partilha de ideias, especialmente porque as conferências às vezes são muito específicas. É possível haver uma conferência que só interessa a 15 pessoas no mundo todo.

Na próxima semana vais a Nova Iorque, mas desta vez não vais simplesmente assistir…

Vou a uma conferência sobre a palavra em fonologia. Os linguístas não têm bem a certeza se existem mesmo palavras, porque pode ser uma definição só influenciada pela escrita. Se ouvirmos uma pessoa a falar numa língua que desconhecemos, não há nada que nos dê pistas sobre onde começa e acaba uma palavra, é um contínuo sonoro aquilo que se ouve.

E é à volta desse tema que gira a conferência , certo?

A discussão é sobre a existência ou não de palavras e cada um vai apresentar as razões do seu ponto de vista. Eu vou apresentar um poster, a par com o Professor João Veloso, que também faz investigação no CLUP.

E em quê que vai consistir a vossa apresentação?

Fizemos uma análise de várias línguas, especialmente indo-europeias, e procurámos identificar fenómenos que só acontecessem em fronteiras de palavra, no seu início ou fim, para tentar chegar a uma conclusão sobre o que é a palavra.

Falando agora de outros fenómenos, também  complexos, mas por outras razões. Achas que há , por parte das pessoas, cuidado na expressão oral e escrita? Há uma preocupação em respeitar a língua?

Pessoalmente, acho que as pessoas escreviam melhor antigamente. Mas isso pode estar relacionado com o facto de agora existirem mais plataformas, mais sítios onde se pode escrever, por causa das mensagens e da internet. Hoje em dia escrever está mais banalizado.

As SMS podem, de alguma forma, contribuir para um decréscimo na qualidade da expressão escrita?

Há aquele discurso típico de que são os jovens que estão a estragar a língua, mas não concordo com isso. Conheço pessoas que escrevem lindamente e escrevem SMS de forma diferente e pessoas que escrevem mal seja de que maneira for…Sempre houve códigos e este é um código que tem o intuito de poupar espaço, portanto não é deliberado para estragar a lingua (embora haja situações em que se começa a usar esse código em alturas em que não  há necessidade dessa poupança). Também há algum pretenciosismo. As pessoas ligam muito a isso não pelo facto de se escrever bem ou mal, mas para..

Para se mostrarem mais intelectuais?

Sim, talvez seja isso. É normal, por exemplo, num jornal apontarem um erro, mas depois até acontece darem esse erro mais à frente.

Nos jornais também há essa falta de cuidado?

Acho que há cuidado, mas a questão é que há erros de escrita e outros erros que estão relacionados com a forma como se diz as palavras. Isto leva-nos à questão da oralidade. Muitos erros estão associados com um desencontro em relação àquilo que está convencionado e que está sempre associado às capitais e ao poder. Em Londres, uma pessoa com sotaque do Norte, perde, quase de certeza, um emprego contra uma pessoa que tenha sotaque londrino.

Então há discriminição através da forma de falar?

Sim, pode haver. Há até países onde é considerado crime negar a maneira de falar de alguém. Se alguém for a uma entrevista de emprego, tiver exactamente as mesmas qualificações dos outros candidatos e for excluído pela forma de falar, pode processar a empresa em causa.

(Entrevista realizada no âmbito da cadeira “Ateliê de Reportagem, Entrevista e Edição de Imprensa”, do 1º ano de mestrado em jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, leccionada por Paulo Moura)

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12 comentários

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12 responses to ““Até Fernando Pessoa se queixou, dizia que abismo sem ‘y’ não era abismo”

  1. Preseren

    Sem dúvida, as pessoas não sabem que a língua já sofreu grandes alterações.
    Basta ler um texto da altura da 1ª república para ver essa grande diferença – o y.

    Por outro lado tenho que me render às evidências e se não queremos que o português se torne num galego(esquecido num qualquer canto de uma qualquer península periférica) há que adaptar-se, já que “eles” sao quase 200 milhoes (e a crescer rapidamente) e “nós” somos uns 40 no total…

  2. Filipa.

    Parabéns! Gostei muito de ler a entrevista.

  3. A completar com esta, em que o Pedro está do outro lado do microfone:

    http://cl.up.pt/elingup/vol1n1/article/article_1.pdf

  4. Muito bem! Só não sei se a fonética pode ser mesmo excluída das “ciências da linguagem”. Admitamos que a fonética não é parte da linguística (ponto de vista clássico, embora discutido por muitos linguistas e foneticistas). Se aceitarmos que a designação “ciências da linguagem” cobre outras ciências e áreas para além da linguística, a fonética pode, mesmo não sendo uma subdisciplina da linguística, ser uma dessas “ciências da linguagem”. Os meus neurónios agradecem o prazer que esta entrevista lhes deu.

  5. Pingback: Entrevista a Catarina Reis da Fonseca « Blogus Petri

  6. Muito obrigado pela resposta.
    Gostei de vosso argumento.

  7. O esperanto é uma língua construída por um senhor polaco chamado Zamenhof que tinha a ideia, um pouco utópica, de criar uma língua comum entre todas as pessoas e para isso usou elementos de diversas línguas. É muito provável que mesmo sem aprender esperanto , nos seja possivel perceber um texto nessa lingua, bem como os franceses ou os ingleses por exemplo, já que ela contém elementos comuns a todas estas línguas.

    Apesar de parecer uma idéia utópica o esperanto hoje é um importante instrumento de comunicação, hoje o esperanto é uma língua viva, reconhecida por duas vezes pela UNESCO.
    É você quase foi feliz em seu comentário, mas creio que seja impossível você perceber (estranha maneira de usar essa palavra, seria entender um pouquinho?) um texto nessa língua, mas vamos lá, vou escrever um pequeno texto em esperanto e veremos se você o percebe bem.

    La krio.

    Venas la nokto, la lupoj plenigas la kamparon, *sxi estas sola, sxi komprenas nenion, nur ploras, ploras por la timo, la timo plenigas sian koron kiel la luparo je la kamparo, sed sxi ankoraux ploras, sxi ne sukcesas kompreni ke la mondo sxangxigxis, ke la mondo jam ne estas la sama loko, sxi vojagxis trans la steloj, vojagxis nur por dudek minutoj, vojagxis je la rapideco de la lumo, nur dudek minutoj. Sed post dudek minutoj la planedo majunigxis kelkaj miliaroj, sekigxas sian gorgon, la ploro finigxas kaj la luparon je la kamparo auxkultas nur unu sono, sxia krio…

    * leia a letra x como acentos nas letras anteriores.
    (cx, sx, jx, hx, gx, ux)

    • Pedro

      Caro Paulo,

      Não é dito em momento nenhum que o esperanto é uma língua morta ou frívola, nem que a sua utopia signigica que é inútil, porque não é. Também não é dito que é 100% certo que qualquer pessoa perceba um texto em esperanto. É apenas dito que é provável que uma pessoa que não aprenda esperanto e que tenha conhecimentos de outras línguas – especialmente latim, línguas românicas modernas e, numa escala menor, línguas germânicas – perceba um texto de esperanto. E, ao contrário do que possa parecer, estes conhecimentos não são assim tão improváveis numa pessoa com uma escolaridade normal. Se se pensar um bocadinho, repara-se que muitos daqueles étimos latinos estão presentes no português e noutras línguas com que qualquer pessoa que tenha o mínimo interesse em perceber um texto em esperanto já terá contactado, seja de que maneira for. E, com tempo e raciocínio, “descodificar” um texto em esperanto é uma tarefa muito realista para um falante do português perspicaz.
      Não se sinta ameaçado por ter aprendido esperanto e haver gente que não o fez e percebe esperanto na mesma; a língua foi construída para isso e mesmo e, de qualquer maneira, alguém que não saiba esperanto não será capaz de escrever um texto como o que acabou de escrever.
      Quanto a “perceber” em vez de “entender”, são dois termos perfeitamente sinónimos neste contexto no português europeu. Do mesmo modo, “em seu comentário” nunca se escreveria em português de Portugal, mas sim “no seu comentário”. Cada variedade tem as suas idiossincrasias.

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