Monthly Archives: Fevereiro 2010

Memórias de Ljubljana

(Crónica publicada a 31.10.09 no espaço “Fugas do Leitor” da “Fugas” , suplemento de sábado do jornal “Público”)

A minha “fuga” durou um pouco mais do que as que habitualmente aqui se relatam.

Foram seis meses na capital de um país que, por cá, suscita, muitas vezes, perguntas como, “estiveste na Eslováquia não foi?”. Eslovénia, foi Eslovénia. São pouco mais de dois milhões os habitantes deste pequeno, mas encantador, país que, até 1991, foi uma república da ex-Jugoslávia.

Fui estudar para Ljubljana (ou Liubliana,como se diz em Portugal) durante um semestre e, confesso, o mais difícil foi voltar. É uma cidade pequena e acolhedora e , por isso mesmo, apaixonante. A maior parte da minha estadia coincidiu com os dias frios e de grandes nevões que cobrem a cidade de branco durante os meses de Inverno. Mas isso não foi impedimento para conhecer todos os recantos da cidade.

Subir até ao castelo é obrigatório para quem passa por esta capital; a vista deslumbrante é imperdível. Mas são as ruas do centro histórico, que me levam a querer voltar num futuro próximo . Nunca me aborreci de caminhar até à ponte dos Dragões , um dos símbolos da cidade, ou andar p’ra lá e p’ra cá em Mestni, a minha rua preferida. Uma rua larga, silenciosa, de casas coloridas, lojas e restaurantes convidativos e aquele café ao fundo com umas mesas altas em que passei horas sem ver as horas passar.

São inúmeras as coffee-shops junto ao rio Ljubljanica, que atravessa o centro da cidade. Apesar do frio cortante, os eslovenos preferem as esplanadas sempre que não chova ou neve. Nos passeios da cidade é preciso ter cuidado para não caminhar nas vias destinadas às bicicletas e que, no nosso país, têm muito pouco uso. Na capital eslovena , praticamente toda a gente tem uma bicicleta. É incontável o número de pessoas que, todos os dias, se desloca neste meio de transporte e que acabam por, quase sempre, se cruzar na praça Prešeren, o ponto central da cidade. Daqui, seguindo pela ponte tripla, chegamos ao mercado ao ar livre , em que todas as manhãs é possível encontrar desde flores a fruta, roupas ou artesanato. Ljubljana é uma cidade moderna e, cada vez mais, cosmopolita. O inglês ouve-se por todo o lado, já que, para além dos turistas, a cidade acolhe todos os anos centenas de estudantes ao abrigo do programa Erasmus.

Mas a Eslovénia não é só Ljubljana. É o Lago Bled,o esqui nos Alpes, ou a costa do Mar Adriático. Enfim, nenhuma crónica será suficiente para explicar por que é que depois de Praga, Viena ou Veneza, será a Ljubljana que irei voltar primeiro.

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Ants Marching

He wakes up in the morning

Does his teeth bite to eat and he’s rolling

Never changes a thing

The week ends the week begins

She thinks, we look at each other

Wondering what the other is thinking

But we never say a thing

These crimes between us grow deeper

Goes to visit his mommy

She feeds him well his concerns

He forgets them

And remembers being small

Playing under the table and dreaming

Take these chances

Place them in a box until a quieter time

Lights down, you up and die

Driving in on this highway

All these cars and upon the sidewalk

People in every direction

No words exchanged

No time to exchange

And all the little ants are marching

Red and black antennas waving

They all do it the same

They all do it the same way

Candyman tempting the thoughts of a

Sweet tooth tortured by the weight loss

Program cutting the corners

Loose end, loose end, cut, cut

On the fence, could not to offend

Cut, cut, cut, cut

Take these chances

Place them in a box until a quieter time

Lights down, you up and die

Dave Matthews Band

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“Até Fernando Pessoa se queixou, dizia que abismo sem ‘y’ não era abismo”

Três dias depois da entrevista o destino era Nova Iorque. Ser o melhor aluno do curso tem destas coisas. Frequenta o último ano de Ciências da Linguagem na Universidade do Porto e foi convidado para dar aulas no próximo semestre. Chama-se Pedro Tiago Martins e diz que está nervoso. Não sabe porquê. Está de acordo com o “Acordo”, mas entende quem não está. É na linguística que se sente à vontade e é por isso que o nervosismo desaparece à medida que a conversa avança

Catarina Reis da Fonseca

Durante este ano deverá ser implementado o novo Acordo Ortográfico em Portugal. Por que é que tem havido tanta resistência à entrada em vigor destas novas regras?

Essa resistência está relacionada essencialmente com duas coisas. Em primeiro lugar, ninguém gosta que se mude algo que dominamos. Se, de repente, nos mudam as regras do jogo, não achamos muita piada. É isto que se passa com a ortografia, as pessoas sente-se ameaçadas. Há, aliás, a ideia de que estamos a render-nos à ortografia brasileira.

E não estamos?

Não, acho que não estamos. A ortografia do português do Brasil é mais evoluída do que a nossa, é mais transparente. Digamos que nós temos de decorar quando é que o “c” ou um “p” é mudo ou não. Os brasileiros não têm esse problema porque já eliminaram todas as consoantes mudas.

Voltando à questão incial. Qual é a outra razão para a hesitação em relação ao Acordo?

Uma coisa em que quase ninguém repara ou não sabe é que neste momento estamos sob o acordo ortográfico de 1945. Os nossos avós, por exemplo, já passaram por ele. É verdade que havia menos gente a saber escrever, mas as pessoas não se queixaram tanto como se queixam agora. Antes disso houve também o acordo de 1911 e o de 1931.

Mas, como referiste, nessa altura não havia tanta gente a saber escrever.

Em 1911 foi mesmo uma tentativa de diminuir o analfabetismo. Quando se implementou a República não havia nenhuma lei sobre isso, cada um quase que escrevia como queria.  Juntaram várias pessoas importantes da área da filologia (a linguística ainda não existia na altura) e chegaram a um acordo. Até Fernando Pessoa se queixou na altura, dizia que abismo sem “y” não era abismo.

Depois em 1945 voltou a elaborar-se um novo acordo…

Exacto, em 1945 entrou em vigor um novo acordo que é aquele que utilizamos até hoje. Muitas das alterações que são introduzidas agora são muito parecidas com as 1945, só que nessa altura não foram aplicadas a todas as palavras. Há palavras que na altura perderam o “c” e o “p” e outras que só agora vão perder, com a entrada em vigor do acordo de 1990.

Onde queres, então, chegar ao dizer que ninguém se lembra que estamos sob o acordo de 1945?

O que quero dizer é que o argumento que algumas pessoas apresentam de que estas alterações significam a perda de identidade da língua não tem muito fundamento. Qual é a língua original, então? Só se for o latim, porque já houve tantas alterações que perdemos tanta identidade agora como em 1911 ou 1945.

Isso significa que pessoas estão pouco informadas sobre este assunto?

Sim, porque aquilo que as pessoas dizem sempre é que não faz sentido mudarmos agora a maneira de escrever. Só que isso já foi feito imensas vezes, em muitas línguas.

Mas não há o risco de se gerar um certo caos ortográfico nesta fase de transição para o novo acordo?

Essa fase de transição significa que não há alguém a dizer que amanhã temos todos de escrever desta maneira. Há um período de adaptação de seis anos.

E será possível em seis anos as pessoas habituarem-se a esta nova ortografia?

À partida, as pessoas, hoje em dia, têm mais conhecimentos e mais informação do que quando entraram em vigor os acordos anteriores e, portanto, deverá ser mais fácil adaptarem-se.

E  se fosse decidido eliminar os sotaques e exigido que falássemos todos da mesma maneira? Não é, de certa forma, o que se está a fazer com a ortografia?

Não, isso é uma outra questão, porque há uma grande diferença entre a ortografia e todos os outros aspectos da língua. A escrita é convencional, portanto é suceptível a alterações. Também não fazia nenhum sentido se alguém decidisse alterar a conjugação dos verbos por exemplo, porque isso está integrado na parte natural da língua, ninguém pode legislar sobre isso.

Quem não respeitar o acordo depois do periodo de adaptação vai estar a cometer erros ortográficos?

Sim, era como  se hoje eu escrevesse  farmácia com “ph”  ou “augmentar” em vez de “aumentar” . Pessoalmente, até acho mais bonito em termos estéticos e conheço muitas pessoas que concordam com o acordo do ponto de vista formal, mas que dizem que em termos  emocionais a mudança vai ser mais complicada.

É compreensivel a relutância das pessoas?

Se eu não estivesse nesta área provavelmente iria ser contra o acordo ortográfico. Não ia ter fundamentos linguísticos para aceitar facilmente as mudanças.

Então é natural que as pessoas que não têm essas bases sejam resistentes à mudança…

Sempre que se dá alguma mudança em algo a que estamos habituados e com que nos sentimos bem , há resistência. Mas a ortografia deve ser simples e, se é possivel simplificá-la, então  deve-se fazê-lo.

A razão para esta mudança reside só na simplificação ou também há interesses económicos?

Pode ser que haja algumas razões económicas. Mas quem faz o acordo, quem “decide” as alterações a implementar, não se preocupa com esse tipo de questões. Não foram os governantes que ratificaram o acordo que o elaboraram. Provavelmente, muitos deles nem sabem o que vai acontecer.

Há alguma possibilidade de haver um boicote a este acordo?

Há essa possibilidade, mas se ele for mesmo implementado por lei não vejo por onde escapar. Aliás, há escritores famosos que dizem que não vão respeitar o acordo. Mas literatura é arte, têm maior liberdade para escrever da forma que quiserem.

A língua portuguesa não vai, então, na tua opinião, ficar a perder com este acordo.

Não vai haver ninguém a falar de maneira diferente. Vai ser exactamente igual só que a ortografia vai ser diferente. Hoje em dia o português do Brasil é mais conhecido do que o nosso e termos uma ortografia em comum pode incentivar mais pessoas a estudar o português de Portugal.

O assunto tem sido bastante discutido entre linguistas, mas este é um assunto pouco acessível ao público em geral. Achas que as pessoas fazem alguma ideia do que são as ciências da linguagem?

Penso que não. Ao contrário de outras ciências com as quais vamos entrando em contacto ao longo da vida,  com a linguística isso não acontece. Há a consciência do que está certo e do que está errado em termos de língua, mas não há a noção de que existem ciências que estudam as estruturas da língua quase como se  de um código genético se tratasse.

Como é que se explica resumidamente em  que é que consiste esta ciência?

A linguística é o nome da ciência que estuda as línguas naturais que, ao contrário das línguas construídas, como o esperanto ou as línguas de programação, são línguas que surgem sozinhas, sem ninguém fazer nada. Porque os seres humanos têm uma capacidade inata para a linguagem e desenvolvem sozinhos uma língua, como o português por exemplo.

Então as línguas naturais são aquelas que falamos?

As línguas naturais são aquelas que nós falamos, não há ninguém que inventa as regras. Já o que está “mal” e o que está “bem” é definido por convenções. Não houve um grupo de pessoas que se juntou e decidiu que as coisas se fazem de uma outra maneira. As regras surgem naturalmente e é isso que a linguística estuda: como é que isso acontece e por que é que acontece.

O que é o esperanto?

O esperanto é uma língua construída por um senhor polaco chamado Zamenhof que tinha a ideia, um pouco utópica, de criar uma língua comum entre todas as pessoas e para isso usou elementos de diversas línguas. É muito provável que mesmo sem aprender esperanto , nos seja possivel perceber um texto nessa lingua, bem como os franceses ou os ingleses por exemplo, já que ela contém elementos comuns a todas estas línguas.

Uma espécie de Torre de Babel…

É quase isso. Já há falantes nativos de esperanto, porque há pessoas que aprenderam e só falaram esperanto com os filhos e por isso passou a ser a sua primeira língua.

Existem várias áreas dentro da linguística.

Sim, existem várias áreas que abordam partes mais específicas da linguística. Por exemplo, existe a fonologia que estuda o sistema de sons. Não é o mesmo que fonética, porque a fonética estuda as propriedades físicas do som, é como física mas aplicada aos sons da fala.

As ciências da linguagem não estudam a fonética?

Nem toda a gente considera a fonética como sendo uma ciência da linguagem, embora se acabe por agrupar. É uma área muito importante. É com a fonética que se faz terapia da fala ou que se estudam os sons físicos de uma língua

Por exemplo, nas entradas do dicionário existem aquelas indicações fonéticas…

São transcrições fonéticas. Isso contrapõe-se à fonologia porque a fonética não tem em conta a representação mental da língua. A língua está no cérebro primeiro e depois é que está cá fora e é isso que a fonética estuda, o que está cá fora.

Então isso significa que as ciências da linguagem não estudam representações fonéticas?

Estudam as representações que estão no cérebro, representaçãos mentais, o que está antes de falarmos. Até porque há pessoas mudas que percebem o que dizemos. Se não conseguem falar como é que percebiam? Porque a língua está no cérebro, até se chama mente/cérebro, é o nome que é dado por Chomsky.

E para além da fonologia, quais as outras áreas estudadas?

As ciências da linguagem incluem também a sintaxe que estuda a ordem das palavras, a concordância e a selecção. Depois há a semântica que estuda o significado das palavras, das frases e de morfemas. A morfologia , que é uma espécie de sintaxe mas ao nível da palavra em vez de ser ao nível da frase, estuda as combinações de morfemas que são as várias partículas que compõem as palavras. Fazem-se ainda estudos ao nível da pragmática.

E quais são as aplicações práticas desta ciência?

Línguistica Aplicada ou Aplicações Directas da Linguistica não se vêem tanto como noutras ciências, mas vê-se muito facilmente, por exemplo, quando se vai ao tradutor do “Google”, que não funciona à base da simples equivalência de palavras. Há muito trabalho envolvido. Tem que se estudar muito bem as estruturas de uma língua e de outra para haver tradução automática, por exemplo.

Mas em que medida é que os tradutores automáticos estão relacionados com a linguística?

Tem que haver um conhecimento e um estudo muito grande da estrutura de cada uma das línguas para que estás a traduzir. Não é palavra por palavra porque se não saía uma coisa sem sentido.

E às vezes sai…

Sim, porque o sistema ainda não é perfeito.

E a nível mais conceptual, há alguma aplicação da linguística que possas destacar?

Uma das razões pela qual a linguística é muito importante é porque estuda uma das coisas que se têm quase a certeza de serem intrínsecas dos humanos, que é a linguagem verbal, que supostamente mais nenhum animal “tem”. Isto é muito importante na definição da espécie humana, porque é a sua característica principal.

A linguística pode, de alguma forma, dar um contributo a outras ciências?

Sim, há ligações com quase todas as ciências. Se pensarmos em qualquer uma delas, quase de certeza que podemos pensar numa “sub-ciência” relacionada com a línguistica. Existem implicações, por exemplo, a nível psicológico. Há muitas doenças que são previsíveis através do estado actual da língua da pessoa  que, neste caso, se estuda ao nível da linguística clínica.

Fazes investigação no Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP). Quais são as áreas em que incide mais a vosso trabalho?

Principalmente fonologia, embora eu me interesse por todas. Mas, no geral, a fonologia é a área em que, neste momento, existem mais pessoas a trabalhar no Centro.

Um exemplo concreto do produto dessas investigações…

Uma das coisas que fizemos foi elaborar uma base de dados com mais de uma centena gravações da fala de pessoas de todo o país e que daqui a uns meses vão estar disponíveis num site que vai estar sempre a crescer. Este pode ser um dos caminhos, através da fonética, para chegar a conclusões a nível fonológico.

Tens assistido a várias conferências fora de Portugal. Já foste a Manchester, Estocolmo, Helsínquia. Qual é a mais-valia destas viagens para os estudos que desenvolvem no CLUP?

Antigamente, esta era única forma de os cientistas se encontrarem, depois apareceram os telefones, a internet, enfim. Mas esta continua a ser a principal maneira para a partilha de ideias, especialmente porque as conferências às vezes são muito específicas. É possível haver uma conferência que só interessa a 15 pessoas no mundo todo.

Na próxima semana vais a Nova Iorque, mas desta vez não vais simplesmente assistir…

Vou a uma conferência sobre a palavra em fonologia. Os linguístas não têm bem a certeza se existem mesmo palavras, porque pode ser uma definição só influenciada pela escrita. Se ouvirmos uma pessoa a falar numa língua que desconhecemos, não há nada que nos dê pistas sobre onde começa e acaba uma palavra, é um contínuo sonoro aquilo que se ouve.

E é à volta desse tema que gira a conferência , certo?

A discussão é sobre a existência ou não de palavras e cada um vai apresentar as razões do seu ponto de vista. Eu vou apresentar um poster, a par com o Professor João Veloso, que também faz investigação no CLUP.

E em quê que vai consistir a vossa apresentação?

Fizemos uma análise de várias línguas, especialmente indo-europeias, e procurámos identificar fenómenos que só acontecessem em fronteiras de palavra, no seu início ou fim, para tentar chegar a uma conclusão sobre o que é a palavra.

Falando agora de outros fenómenos, também  complexos, mas por outras razões. Achas que há , por parte das pessoas, cuidado na expressão oral e escrita? Há uma preocupação em respeitar a língua?

Pessoalmente, acho que as pessoas escreviam melhor antigamente. Mas isso pode estar relacionado com o facto de agora existirem mais plataformas, mais sítios onde se pode escrever, por causa das mensagens e da internet. Hoje em dia escrever está mais banalizado.

As SMS podem, de alguma forma, contribuir para um decréscimo na qualidade da expressão escrita?

Há aquele discurso típico de que são os jovens que estão a estragar a língua, mas não concordo com isso. Conheço pessoas que escrevem lindamente e escrevem SMS de forma diferente e pessoas que escrevem mal seja de que maneira for…Sempre houve códigos e este é um código que tem o intuito de poupar espaço, portanto não é deliberado para estragar a lingua (embora haja situações em que se começa a usar esse código em alturas em que não  há necessidade dessa poupança). Também há algum pretenciosismo. As pessoas ligam muito a isso não pelo facto de se escrever bem ou mal, mas para..

Para se mostrarem mais intelectuais?

Sim, talvez seja isso. É normal, por exemplo, num jornal apontarem um erro, mas depois até acontece darem esse erro mais à frente.

Nos jornais também há essa falta de cuidado?

Acho que há cuidado, mas a questão é que há erros de escrita e outros erros que estão relacionados com a forma como se diz as palavras. Isto leva-nos à questão da oralidade. Muitos erros estão associados com um desencontro em relação àquilo que está convencionado e que está sempre associado às capitais e ao poder. Em Londres, uma pessoa com sotaque do Norte, perde, quase de certeza, um emprego contra uma pessoa que tenha sotaque londrino.

Então há discriminição através da forma de falar?

Sim, pode haver. Há até países onde é considerado crime negar a maneira de falar de alguém. Se alguém for a uma entrevista de emprego, tiver exactamente as mesmas qualificações dos outros candidatos e for excluído pela forma de falar, pode processar a empresa em causa.

(Entrevista realizada no âmbito da cadeira “Ateliê de Reportagem, Entrevista e Edição de Imprensa”, do 1º ano de mestrado em jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, leccionada por Paulo Moura)

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