Coisas de viagens curtas

A pessoa que estava sentada à minha frente levantou-se e passei a conseguir ver quem estava sentado nos quatro bancos seguintes. Um senhor com um filho. Ria muito , falava muito, o menino. Em frente uma senhora, provavelmente a voltar do trabalho.Sozinha. Primeiro estava a rir das brincadeiras do mais pequenino, ou pelo menos foi o que me pareceu. No metro nunca olhamos muito tempo para as pessoas, há uma espécie de contrato. Ninguém incomoda ninguém com olhares. Mas olhei melhor e, afinal, o sorriso era intermitente. O queixo tremia de vez em quando. Apertava os lábios com força, numa tentativa vã de segurar as lágrimas. Mas isso não chegava, de vez em quando lá aparecia o lenço de papel amarrotado que apertava com força dentro da mão.

O menino continuava a rir e a senhora esperava que os outros passageiros cumprissem o contrato e pousassem os olhos noutro sítio qualquer.

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