Entrei no metro; destino: Cais do Sodré. Andar um bocado, encontrar a Rua do Instituto Industrial…et voilà!: ” 50 anos de Telejornal – entre o passado e o futuro”, na Fundação Portuguesa das Comunicações.
Cheguei atrasada, odeio chegar atrasada, mas não houve outra hipótese. Aveiro não é propriamente ao virar da esquina e na segunda-feira era mesmo de lá que vinha. Adiante.
Começou com algumas apresentações; a evolução do telejornal da RTP, estudos, estatísticas e afins. O painel seguinte com uma constituição bastante interessante: Manoel Caetano, Maria Elisa, Lopes Araújo, Judite de Sousa, Adelino Gomes a presidir a mesa e José Alberto de Carvalho como comentador. O objectivo era que cada um falasse um pouco de uma época específica em que trabalhou na RTP. Deixo alguns apontamentos.
Maria Elisa (pós 25 de Abril – “A conquista da liberdade”)
“Poucos serão os dias em que não me lembro que, se ocupei tão cedo os cargos que ocupei, isso se deve ao 25 de Abril.”
“Era mais o tempo de viver do que de reflectir.”
“Aos 24 anos, quando se está a dar voz a um sonho, é difícil ser objectiva. Muitas vezes só se ouvia uma das partes. A justiça parecia tão evidente.”
“Recebíamos ameaças de bomba(…) mas ninguém parecia ligar muito.”
«Do “poder em cena” – durante o Estado Novo – passámos a estar numa época de “poderes em cena”, mais obscuros, mais difíceis de escrutinar.»
Lopes Araújo ( início dos anos 80 até 84 – “A caminho da democracia”
“ O pivot não só apresentava como fazia reportagem, edição… A apresentação era apenas uma tarefa entre outras”
“Fiz uma reportagem sobre trabalhadores em protesto à porta de São Bento(…), o presidente do concelho não gostou. Fui despedido a 2 de Abril de 74. (2 meses depois voltou para a RTP)
Judite de Sousa (1991-2009)
“Ainda bem que conseguimos fazer alguns positivos ajustes de contas com o passado”
“É preciso ligar um descomplicómetro.”
“Nada é o que é se não se lembrar daquilo que foi.”
“Hoje em dia reflecte-se mais do que se vive.”
“Há pouca reportagem pura na televisão em Portugal. “
José Alberto Carvalho (comentário final)
Adelino Gomes citou um excerto de uma crónica de televisão de Eduardo Cintra Torres (ECT). O cronista acusava a RTP de ser controlada pelo Governo. José Alberto Carvalho respondeu assim:
” Esse senhor é doente. Tenho um processo contra ele em tribunal.” (referindo-se a ECT).
” Gostava de ter um debate à porta fechada com esse senhor, porque não seria uma coisa muito bonita de se ver. É indigno que este tipo de insinuações continue a ter lugar no espaço público”.
“Uma das coisas que mais reivindico para a RTP é que nos deixem errar. Todas as pessoas erram.”
“Não me venham dizer que o jornal é o jornal nacional da TVI.”
Judite de Sousa também respondeu:
«Todas as pessoas que suspeitam da existência de mãos capciosas,”mãos invisíveis”, são pessoas que não têm eco na sociedade portuguesa” »
O painel seguinte contou com a presença de ex-assessores de Mário Soares, Ramalho Eanes e Cavaco Silva. As intervenções foram interessantes q.b. e com algum sentido de humor à mistura.
Infelizmente não pude assistir ao último painel de oradores.
Metro: Colégio Militar/Luz, para mais um fim de dia de aulas.
Cheira-me que os alunos da UM sofrem de síndrome de João Pires!