Monthly Archives: Outubro 2009

FDV

Fakulteta za družbene vede, Univerza v Ljubljani (2008)

Fakulteta za družbene vede, Univerza v Ljubljani (2008)

Às vezes, queria mesmo poder voltar.

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Im[press]ões: “50 anos de Telejornal”

Entrei no metro; destino: Cais do Sodré. Andar um bocado, encontrar a Rua do Instituto Industrial…et voilà!: ” 50 anos de Telejornal – entre o passado e o futuro”, na Fundação Portuguesa das Comunicações.

Cheguei atrasada, odeio chegar atrasada, mas não houve outra hipótese. Aveiro não é propriamente ao virar da esquina e na segunda-feira era mesmo de lá que vinha. Adiante.

Começou com algumas apresentações; a evolução do telejornal da RTP, estudos, estatísticas e afins. O painel seguinte com uma constituição bastante interessante: Manoel Caetano, Maria Elisa, Lopes Araújo, Judite de Sousa, Adelino Gomes a presidir a mesa e José Alberto de Carvalho como comentador. O objectivo era que cada um falasse um pouco de uma época específica em que trabalhou na RTP. Deixo alguns apontamentos.

Maria Elisa (pós 25 de Abril – “A conquista da liberdade”)

“Poucos serão os dias em que não me lembro que, se ocupei tão cedo os cargos que ocupei, isso se deve ao 25 de Abril.”

“Era mais o tempo de viver do que de reflectir.”

“Aos 24 anos, quando se está a dar voz a um sonho, é difícil ser objectiva. Muitas vezes só se ouvia uma das partes. A justiça parecia tão evidente.”

“Recebíamos ameaças de bomba(…) mas ninguém parecia ligar muito.”

«Do “poder em cena” – durante o Estado Novo – passámos a estar numa época de “poderes em cena”, mais obscuros, mais difíceis de escrutinar.»

Lopes Araújo ( início dos anos 80 até 84 – “A caminho da democracia”

O pivot não só apresentava como fazia reportagem, edição… A apresentação era apenas uma tarefa entre outras”

“Fiz uma reportagem sobre trabalhadores em protesto à porta de São Bento(…), o presidente do concelho não gostou. Fui despedido a 2 de Abril de 74. (2 meses depois voltou para a RTP)

Judite de Sousa (1991-2009)

“Ainda bem que conseguimos fazer alguns positivos ajustes de contas com o passado”

“É preciso ligar um descomplicómetro.”

“Nada é o que é se não se lembrar daquilo que foi.”

Hoje em dia reflecte-se mais do que se vive.”

“Há pouca reportagem pura na televisão em Portugal. “

José Alberto Carvalho (comentário final)

Adelino Gomes citou um excerto de uma crónica de televisão de Eduardo Cintra Torres (ECT). O cronista acusava a RTP de ser controlada pelo Governo. José Alberto Carvalho respondeu assim:

” Esse senhor é doente. Tenho um processo contra ele em tribunal.” (referindo-se a ECT).

” Gostava de ter um debate à porta fechada com esse senhor, porque não seria uma coisa muito bonita de se ver. É indigno que este tipo de insinuações continue a ter lugar no espaço público”.

“Uma das coisas que mais reivindico para a RTP é que nos deixem errar. Todas as pessoas erram.”

“Não me venham dizer que o jornal é o jornal nacional da TVI.”

Judite de Sousa também respondeu:

«Todas as pessoas que suspeitam da existência de mãos capciosas,”mãos invisíveis”, são pessoas que não têm eco na sociedade portuguesa” »

O painel seguinte contou com a presença de ex-assessores de Mário Soares, Ramalho Eanes e Cavaco Silva. As intervenções foram interessantes q.b. e com algum sentido de humor à mistura.

Infelizmente não pude assistir ao último painel de oradores.

Metro: Colégio Militar/Luz, para mais um fim de dia de aulas.

 

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We go blind

when we’ve needed to see.

Damien Rice – “Rootless Tree”

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The Seats Opposite

bresson, couple

Roménia, 1975 © Henri Cartier-Bresson

Gosto de Cartier-Bresson (1908-2004) e de andar p’ra trás e p’ra frente na internet à procura de trabalhos dele. Hoje encontrei este casal a dormir num comboio  e já não passei para a página seguinte.

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Luís dos Reis

Já viu muita coisa na vida. Nascer em 1926 dá direito a ter muitas estórias e muita História para contar. É isso mesmo que o senhor Luís faz quando, de tempos a tempos, tem os netos a jantar lá em casa – conta.  Há sempre qualquer memória que vem à baila; uma cantilena dos tempos da juventude ou o vizinho, dono da mercearia, que misturava água no aguardente na esperança de que os clientes não notassem. A estória pode ser repetida, mas ninguém se importa, ou melhor, toda a gente se ri como se a estivesse a ouvir pela primeira vez.

Na sala de estar  está o Luís com 18 anos, dentro de uma moldura. Tem a farda da tropa. Diz que fez a tropa em Lisboa, que se lembra bem da capital. A fotografia a preto e branco não diz a cor dos olhos. Mas são claros, dá p’ra ver que são claros. Ali sentado na mesa da sala de jantar, são azuis. Passados mais de 60 anos desde o dia daquela fotografia, a pele não é a mesma, está gasta pelo sol, pelo trabalho, e por alegrias e tristezas. Mas os olhos são os mesmos, o mesmo azul.

Não me lembro da última vez que o vi. Lembro-me de lhe cantarmos os parabéns com as velas metidas num pão-de-ló e as luzes apagadas. Só a televisão é que ainda iluminava a sala. Fez 83 anos no dia 31 de Agosto diz ele; 1 de Setembro diz a certidão de nascimento.  De certeza que estava na RTP, o meu avô só via a RTP.

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