Monthly Archives: Setembro 2009

Fratricidio

Sarajevo - Novembro de 2008

Sarajevo - Novembro de 2008

“A guerra da Bósnia-Herzegovina não suscita em mim apenas o horror pela guerra, ela causa-me horror também pela destruição de um tecido poliétnico e polireligioso, muito pacífico, onde existia mais do que tolerância, mais do que coabitação, porque havia permutas, comunicações, convivialidade, casamentos. Essa Bósnia-Herzegovina era a prefiguração concreta da Europa que nós desejamos. Dela apenas restam algumas cidades cercadas, bombardeadas, asfixiadas, entre as quais Sarajevo.” Foi com estas palavras que Egar Morin introduziu, a 11 de Setembro de 1993, o seu “Discurso de Sarajevo”, na Universidade daquela cidade.

Conheci Sarajevo debaixo de um Inverno rigoroso. Foi em Novembro do ano passado, depois de mais de 10 horas dentro de um autocarro desde a Eslovénia até à Bósnia, que fiquei a conhecer uma cidade com um passado dramático bem recente. A cidade pareceu-me triste e as temperaturas negativas também não ajudaram muito. Mas isso não tornou a viagem menos interessante. O contraste com outras capitais europeias é enorme e a mistura étnica, mesmo depois da guerra, continua presente. Em muitas zonas da cidade, os vestígios de guerra não foram apagados. As pessoas não querem deixar cair no esquecimento as atrocidades cometidas no seu país. Muitos prédios crivados de balas não foram arranjados por vontade dos moradores.

A viagem fez-me perceber que o meu conhecimento sobre aquela zona da Europa é quase nulo. Tinha só quatro anos quando, em 1992, o conflito na Jugoslávia se alastrou para a Bósnia. Sarajevo cercada. Massacres. Êxodos de populções. Agora tenho 20 e não sou da opinião que os erros do passado devem ser varridos para debaixo do tapete. Devem ser lembrados pela comunidade internacional para que atrocidades como as “limpezas étnicas” na ex-Jugoslávia não voltem a acontecer.

Na Feira do Livro de Lisboa no ano passado encontrei um livro de Edgar Morin, intitulado “Os Fratricidas. Jugoslávia – Bósnia 1991-1995”. É uma compilação de textos e discursos que o sociólogo elaborou durante o conflito e que dão uma visão esclarecedora dos motivos da guerra. Morin descreve a Bósnia anterior a 1992 como um perfeito exemplo para aquilo em que a Europa se deveria tornar: uma mistura de culturas e etnias que convivem pacificamente com as suas diferenças. Apesar de ser apologista de uma união, Egar Morin reconhece que “a Jugoslávia não dispôs do tempo histórico necessário para se completar como nação poliétnica”. Mas, para o pensador, a Bósnia era o exemplo de que a essa união era possível.

Apesar de tudo, a Bósnia e Herzegovina sobreviveu à guerra. Bósnios, croatas e sérvios, muçulmanos, católicos e ortodoxos continuam a partilhar o mesmo espaço e a tentar conviver com um passado “fratricida”.

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Os “Basterds” de Tarantino

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Christoph Waltz como Coronel Hans Landa

Confesso que não sou fã de Quentin Tarantino e que arrancar escalpes não é propriamente a actividade que mais gosto de ver retratada na grande tela. Mas, há que reconhecer que “Inglorious Basterds” tem um efeito supreendente: arranca gargalhadas mesmo tendo como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Dei por mim a sentir-me culpada por me rir, mas não há volta a dar. Até porque é impossível não achar piada, por exemplo, à personagem interpretada por Christoph Waltz. O Coronel das SS, Hans Landa, ou melhor, “O Caçador de Judeus”, é diabolicamente engraçado e vai com certeza conceder muitos aplausos ao actor.

Crítica à séria deixo para os cinéfilos entendidos.

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Linha 2

Na segunda-feira apanho o Intercidades das 7.32h para mais um recomeço.

22.09.08 – Ljubljana

21.09.09 – Lisboa

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Primeira impressão

Toda a gente diz que as primeiras impressões são muito importantes. Toda a gente diz que a primeira impressão é, quase sempre, a mais acertada. Eu não sou diferente das outras pessoas, não quero causar má impressão logo no primeiro encontro. Por isso, não posso deixar o “WordPress” dizer “Hello World!” por mim. Acho que um” olá” na primeira pessoa é bem mais simpático.

Fica, então, um “olá!“ a quem passa.

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