meter a vida na arte

Quando jovem, Nadir compartilhara um quarto com um pintor cujos quadros foram aumentando de tamanho à medida que tentava meter a totalidade da vida na arte. “Olha para mim – dissera-lhe o pintor antes de se suicidar -, o meu desejo era ser miniaturista e acabei por contrair uma elefantíase!” A importância adquirida pelos acontecimentos da noite fez com que Nadir Khan se recordasse do camarada de quarto, pois, uma vez mais, perversa, a vida tinha-se recusado a ter apenas o tamanho da vida. 

Salman Rushdie, em ‘Os Filhos da Meia Noite’

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Impressões sonoras (25)

Há uns meses estava a passar os olhos pela filmografia da Keira Knightley. É uma atriz que, na minha opinião, ou se adora ou se odeia. No meu caso é a primeira opção que conta. Gosto muito dela e nem sei explicar bem porquê. Encontrei um filme chamado Begin Again (2013) de que nunca tinha ouvido falar. A descrição dizia que ela contracenava com Adam Levine, dos Maroon 5, e com o ator Mark Ruffalo. Achei esta mistura um pouco estranha, mas vi o filme exatamente por me parecer estranho. Para além de ter gostado (quem nunca gostou de um romance que atire a primeira pedra), descobri esta música que também nunca tinha ouvido. Há quem despreze Maroon 5, há quem despreze Adam Levine. Ah e tal, que é popularucho, parolo, demasiado pop, demasiado mainstream, demasiado não-sei-o-quê. Estou-me borrifando. O rapaz canta bem (comprovei isso quando o ouvi ao vivo), faz músicas simples, que trazem alguma paz e ainda por cima é giro que se farta (OK, menos).

A Keira Knightley, que não é cantora nem nada que se pareça, também tem uma música nesse filme. Uma música que consegue ser incrível de tão simples que é. Guardo essa para outro post. 

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Impressões fotográficas: Sebastião Salgado

Tea, Rwanda

Child worker at the Mata tea plantation, Rwanda, 1991

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Memórias de Bruxelas III

Feiras do Livro nunca são má ideia. Gosto especialmente de Feiras do Livro na rua e especialmente da Feira de Lisboa. Como não podia deixar de ser, em Bruxelas este evento costuma ser organizado dentro de portas. Será chuva? Será vento? Por causa do calor não é certamente.

(Fico espantada com a minha capacidade me queixar constantemente do mau tempo de Bruxelas e, ainda assim, gostar tanto daquela cidade. Como li uma vez num guia alternativo para turistas: “Brussels is ugly and we love it. And if we don’t love it, we live with it”).

Adiante.

Domingo, 10 de março de 2013

O que é que se faz num sábado de chuva e frio de gelar os ossos?
Primeira condição para uma escolha com elevada taxa de satisfação: a atividade tem de ser realizada num espaço aquecido e de preferência com bebidas quentes à venda.  Além disso, dá jeito um bocadinho de cultura e interação social q.b.. Misturam-se os ingredientes et voilà: cozinhámos uma ida à feira do livro.
As expectativas eram altas (não foi inteligente criar expectativas, eu sei). Estava decidida a comprar alguns livros em inglês e, se possível, com os descontos apetitosos que costuma haver nestas feiras. Enfim, não só não havia um único livro em inglês, como os livros eram bem caros. OK, estou a mentir, havia um livro em inglês. Qualquer coisa como “Banca e Finanças na União Europeia”. Uhh!
De qualquer maneira, vi um autor de livros infantis vestido de rato e disse-lhe que gostava dele. O rato falava inglês e agradeceu. Como não podia deixar de ser, havia um stand dedicado a uma marca de cervejas. Portanto, como podem imaginar, era um dos mais concorridos. Também gostei especialmente da banca das gomas. Não gostei da multidão sempre a acotovelar-se sem pedir desculpa. Gostei, claro, de ver tantos autores disponíveis para falar com as pessoas e de ver tanta gente apesar de ser preciso pagar bilhete para entrar. Em Portugal talvez não resultasse.
Saí da feira com um livro de exercícios de francês dentro de um embrulho de papel (Recettes de grammaire – Conseils de Grand-mère) e uma garrafa de cerveja que me ofereceram à saída. Não sem antes me perguntarem se eu já tinha 16 anos. 

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Memórias de Bruxelas II

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Tirei esta fotografia perto do Atomium. Vai ser sempre a minha preferida entre todas as que trouxe de Bruxelas.

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Wise Ernest

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Palavras-salva-vidas.

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Impressões sonoras (24)

It’s so easy to laugh
It’s so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
It’s so easy to laugh
It’s so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Over,over, over

[Dizem por aí que a perfeição não existe, mas sempre que oiço Jeff Buckley fico com sérias dúvidas sobre isso.]

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