Impressões sonoras (26)

But I won’t complain
No I won’t complain
Though my good days are far gone
They will surely come back one morn’
So I won’t complain, no, no

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Filed under Música

Circo no Congresso

É uma pena ver o debate sobre um tema tão importante como a proteção de dados transformado num circo. Não passou de uma brincadeira de crianças para Zuckerberg (que pediu desculpa e saiu com a sua imagem reforçada) responder a congressistas sem o mínimo de preparação sobre o tema. Bastante mais à frente nesta discussão está Yuval Hariri, que fez este ano uma intervenção muito interessante no World Economic Forum que aborda a relação entre “data ownership” e poder.

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Only the Brave (2017)

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Eric Marsh: We’re only seconds away, it’s going to feel like the end of the world. As long as you can breathe you can survive.

Depois de um verão trágico em Portugal, Only the Brave é, sem dúvida, um filme Só para Bravos.  Uma sentida homenagem à força especial de bombeiros “Granite Mountain Hotshots”, que em 2013 lutou contra o incêndio de Yarnell Hill, no Arizona.

Ao longo do filme criamos uma empatia imediata não só com os elementos da equipa, mas também com familiares e amigos, que a cada chamada para um novo foco de incêndio sentem o coração parar.

Foi um acaso ter visto este filme. Queria muito ir ao cinema e entre todas as opções pareceu-me a mais aceitável. Revelou-se uma surpresa agradável, mas que, para os mais sensíveis, termina inevitavelmente com um lenço na mão.

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Filed under Cinema

Virar as costas

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“O que o tio não compreende é que, ao caminhar às arrecuas, com as costas viradas para o mundo e para Deus, ele não está a exprimir pesar. Está a levantar uma objeção. Porque, quando tudo o que acalentávamos na vida nos foi tirado, que mais nos resta senão objetar?”

Yann Martel in  “As Altas Montanhas de Portugal” (2016)

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Do vazio

As letras já não se agregam como dantes, não se multiplicam como dantes, não formam palavras como dantes.

Onde deviam estar – sim, elas, as letras – aparecem espaços vazios sem significado. Resultado de minutos gastos com coisa nenhuma. Minutos gastos a tentar que o cérebro se esqueça do desgaste, da pressão, de todas frases azedas que assimilou durante o dia.

Lembro-me muitas vezes de um poema de Álvaro de Campos.

 

“A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

(…) “ Álvaro de Campos

 

 

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Room (2016)

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Jack: I’ve been in the world 37 hours. I’ve seen pancakes, and a stairs, and birds, and windows, and hundreds of cars. And clouds, and police, and doctors, and grandma and grandpa. But Ma says they don’t live together in the hammock house anymore. Grandma lives there with her friend Leo now. And Grandpa lives far away. I’ve seen persons with different faces, and bigness, and smells, talking all together. The world’s like all TV planets on at the same time, so I don’t know which way to look and listen. There’s doors and… more doors. And behind all the doors, there’s another inside, and another outside. And things happen, happen, HAPPENING. It never stops. Plus, the world’s always changing brightness, and hotness. And there’s invisible germs floating everywhere. When I was small, I only knew small things. But now I’m five, I know EVERYTHING!

 

 

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“Quem tem alma não tem calma”

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Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem  alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :  “Fui  eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa 

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